Está prevista para iniciar no mês de junho próximo a reforma de um prédio que irá abrigar a fábrica de polpa de frutas no Projeto de Assentamento (P. A.) Brasil Novo, a cerca de 130 km da cidade de Querência, no Mato Grosso. O projeto está em fase de aquisição de materiais e contratação da mão de obra.
No dia 2 de maio, integrantes da Associação Comunitária Agroecológica Estrela da Paz (ACAEP), formada por agricultores do P. A., reuniram-se no sítio de um dos agricultores do Brasil Novo para criarem juntos a ideia da logomarca para a fábrica. A oficina foi conduzida pela técnica do ISA (Instituto Socioambiental), Raissa Ribeiro.

Apresentação dos participantes da oficina
Após a apresentação dos participantes, que contaram um pouco da sua história no assentamento, houve uma dinâmica de troca de nomes e cada participante escolheu uma palavra sinônima da fábrica de polpa na sua visão. Palavras como ‘fonte de renda, vida saudável, meio sustentável, alternativa, desenvolvimento, sociedade, sonho, conquista e progresso’, apareceram na escolha dos associados.
A partir disso, os associados foram divididos em grupos para discutir e desenhar as ideias de logomarca que representasse a fábrica de polpa. Em votação, foram escolhidos quatro desenhos como favoritos e o nome da fábrica recebeu como sugestões ‘Vida e Saúde’ e ‘Estrela da Paz’. O material será encaminhado para um designer gráfico que fará a produção de logomarcas com desenho e nome para a escolha dos associados.

Momento da dinâmica de troca de nomes Fotos: Raissa Ribeiro – ISA
O prédio que passará por reforma é um antigo projeto que abrigaria uma fábrica de farinha. A iniciativa é custeada com recursos do Fundo Amazônia, por meio do Projeto Sociobiodiversidade Produtiva no Xingu, que tem o ISA como responsável e a ACAEP como organização aglutinada. A previsão é que a fábrica entre em funcionamento no ano que vem. Ela terá capacidade para processar sete toneladas de fruta por ano.
O P. A. Brasil novo foi criado em 1997 e muitas famílias já não moram mais no local. “A principal atividade econômica é a soja e o gado, mesmo sendo pequenas propriedades”, disse Raissa Ribeiro. Conforme o associado Auri Afonso Kolling, é arriscado o agricultor depender somente da soja. “Não queremos que o assentado tenha apenas soja, porque ela requer um investimento alto e pode dar quebra, com o assentado ficando sem renda o resto do ano”, explicou.

O objetivo da fábrica é oportunizar às famílias mais uma fonte de renda. Serão elas que produzirão as frutas para abastecer a fábrica. Raissa informou que está programado para o mês de agosto mais uma oficina, desta vez para capacitar os agricultores sobre o sistema agroflorestal, um sistema de produção com diversidade de espécies agrícolas e florestais de valor econômico, entre elas, árvores frutíferas.
Muitos agricultores já possuem árvores frutíferas em seus lotes para abastecer a fábrica, mas eles pretendem ampliar a área plantada e incluir novas espécies. Para tanto, já iniciou a construção de um viveiro, em frente à fábrica, que visa produzir mudas de espécies de interesse dos agricultores. Para obter as sementes para produção dessas mudas, a associação contará com sementes de doações e do descarte da fábrica, as mudas serão vendidas aos agricultores por um preço abaixo do mercado, e o valor será revertido em pagamento do viveirista.

Os associados da ACAEP querem produzir polpa de fruta de caju, murici, mangaba, cupuaçu, seriguela, maracujá, abacaxi, entre outras. A previsão é vender a produção para várias cidades do estado do Mato Grosso. Nesse sentido, a fábrica atenderá as normas do MAPA para conseguir o registro que permite essa comercialização.

Todos os desenhos que foram criados durante a oficina ( Fotos: Raissa Ribeiro – ISA)
(Por Rafael Govari – ISA; Fotos: Raissa Ribeiro – ISA)
