Logomarca da futura fábrica de polpa de frutas é tema de oficina para assentados de Querência

08/05/2015
Coletores rurais
Instituto Socioambiental
PA Brasil Novo
Querência
Agricultores do Projeto de Assentamento Brasil Novo em Querência no Mato Grosso, participaram de oficina no início do mês de maio para criar a logomarca da futura fábrica de polpa de frutas da Associação Comunitária Agroecológica Estrela da Paz.

Está prevista para iniciar no mês de junho próximo a reforma de um prédio que irá abrigar a fábrica de polpa de frutas no Projeto de Assentamento (P. A.) Brasil Novo, a cerca de 130 km da cidade de Querência, no Mato Grosso. O projeto está em fase de aquisição de materiais e contratação da mão de obra.

No dia 2 de maio, integrantes da Associação Comunitária Agroecológica Estrela da Paz (ACAEP), formada por agricultores do P. A., reuniram-se no sítio de um dos agricultores do Brasil Novo para criarem juntos a ideia da logomarca para a fábrica. A oficina foi conduzida pela técnica do ISA (Instituto Socioambiental), Raissa Ribeiro.

Apresentação dos participantes da oficina

Após a apresentação dos participantes, que contaram um pouco da sua história no assentamento, houve uma dinâmica de troca de nomes e cada participante escolheu uma palavra sinônima da fábrica de polpa na sua visão. Palavras como ‘fonte de renda, vida saudável, meio sustentável, alternativa, desenvolvimento, sociedade, sonho, conquista e progresso’, apareceram na escolha dos associados.

A partir disso, os associados foram divididos em grupos para discutir e desenhar as ideias de logomarca que representasse a fábrica de polpa. Em votação, foram escolhidos quatro desenhos como favoritos e o nome da fábrica recebeu como sugestões ‘Vida e Saúde’ e ‘Estrela da Paz’. O material será encaminhado para um designer gráfico que fará a produção de logomarcas com desenho e nome para a escolha dos associados.

Momento da dinâmica de troca de nomes Fotos: Raissa Ribeiro – ISA

O prédio que passará por reforma é um antigo projeto que abrigaria uma fábrica de farinha. A iniciativa é custeada com recursos do Fundo Amazônia, por meio do Projeto Sociobiodiversidade Produtiva no Xingu, que tem o ISA como responsável e a ACAEP como organização aglutinada. A previsão é que a fábrica entre em funcionamento no ano que vem. Ela terá capacidade para processar sete toneladas de fruta por ano.

O P. A. Brasil novo foi criado em 1997 e muitas famílias já não moram mais no local. “A principal atividade econômica é a soja e o gado, mesmo sendo pequenas propriedades”, disse Raissa Ribeiro. Conforme o associado Auri Afonso Kolling, é arriscado o agricultor depender somente da soja. “Não queremos que o assentado tenha apenas soja, porque ela requer um investimento alto e pode dar quebra, com o assentado ficando sem renda o resto do ano”, explicou.

O objetivo da fábrica é oportunizar às famílias mais uma fonte de renda. Serão elas que produzirão as frutas para abastecer a fábrica. Raissa informou que está programado para o mês de agosto mais uma oficina, desta vez para capacitar os agricultores sobre o sistema agroflorestal, um sistema de produção com diversidade de espécies agrícolas e florestais de valor econômico, entre elas, árvores frutíferas.

Muitos agricultores já possuem árvores frutíferas em seus lotes para abastecer a fábrica, mas eles pretendem ampliar a área plantada e incluir novas espécies. Para tanto, já iniciou a construção de um viveiro, em frente à fábrica, que visa produzir mudas de espécies de interesse dos agricultores. Para obter as sementes para produção dessas mudas, a associação contará com sementes de doações e do descarte da fábrica, as mudas serão vendidas aos agricultores por um preço abaixo do mercado, e o valor será revertido em pagamento do viveirista.

Os associados da ACAEP querem produzir polpa de fruta de caju, murici, mangaba, cupuaçu, seriguela, maracujá, abacaxi, entre outras. A previsão é vender a produção para várias cidades do estado do Mato Grosso. Nesse sentido, a fábrica atenderá as normas do MAPA para conseguir o registro que permite essa comercialização.

Todos os desenhos que foram criados durante a oficina ( Fotos: Raissa Ribeiro – ISA)

(Por Rafael Govari – ISA; Fotos: Raissa Ribeiro – ISA)

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