Indígenas Kisêdjê recebem treinamento para operar trator agrícola recém adquirido

19/11/2014
Instituto Bacuri
Instituto Socioambiental
Território Indígena do Xingu
Os indígenas da etnia Kisêdjê, mais conhecidos como Suya, participaram de um treinamento de Operação e Mecanização de tratores e implementos agrícolas ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), no final do mês de setembro de 2014, na aldeia Nghôjhwêrê, que fica na Terra Indígena (TI) Wawi, vizinha ao Parque Indígena do Xingu (PIX).

O treinamento veio em boa hora. Isso porque há alguns meses, com recursos do Fundo Amazônia (FAM), o Instituto Socioambiental (ISA) adquiriu um trator e implementos agrícolas, que estão sendo utilizados na produção agrícola da aldeia, em especial para aumentar a plantação de pequizeiros.

Desde 2011 os índios extraem óleo de pequi que está sendo usado por famosos chefs de cozinha do Brasil. A produção do óleo de pequi é coordenada pela AIK (Associação Indígena Kisêdjê), tem o apoio técnico do ISA e financeiro e organizacional do Instituto Bacuri e do Grupo Rezek.

Além de um trator Massey Ferguson 4292 HD, já foram entregues uma grade armadora 18 discos 7 polegadas, roçadeira hidráulica, plaina traseira (patrocina), distribuidor de sementes e fertilizantes hidráulico, e furador de solo hidráulico com três brocas. A carreta de dois eixos e quatro rodas está pra chegar. O investimento chega a quase 200 mil reais.

Além da Nghôjhwêrê, o trator vai beneficiar também, em um sistema de rodízio, as aldeias Rapozão, Beira Rio e Ngossoko, explicou o participante do curso, Dombeti Suya, tanto para o cultivo do pequi, como do cará, da mandioca, do milho e da banana. “Tudo que a gente consome produzimos aqui mesmo”, diz orgulhoso Dombeti.

Os nove indígenas participantes do treinamento receberam noções de como se opera um trator, uma grade, uma roçadeira, um furador de solo, uma plaina traseira (potrolinha) e um distribuidor de sementes. Também foi ensinado como se faz a manutenção desses equipamentos.

“Os indígenas aprenderam a usar o trator e seus implementos na melhor forma possível, diminuindo os riscos de acidente e aumentando a durabilidade desses equipamentos”, disse Luciano Langmantel Eichholzm, consultor da Associação Indígena Kisêdjê.

O superintendente do Senar-MT, Tiago Mattosinho, explica que a instituição atende as demandas por capacitação rural que são apresentadas. “Em Mato Grosso temos uma série de terras indígenas que não só produz para subsistência, mas também quer ter renda. Neste sentido atendemos e fazemos a capacitação desta população, levando conhecimento técnico que garanta a segurança, para que produzam melhor e aumentem a renda da aldeia”.

O curso foi ministrado pelo Senar e solicitado pelo ISA e pela AIK. Para fevereiro de 2015, já foi solicitado outro curso ao Senar sobre operação de tratores agrícolas. O Senar aguarda a confirmação de instrutor para aprovar o novo treinamento.

(Rafael Govari – ISA, com colaboração do Senar; Fotos – Rafael Manzutti).

Os nove indígenas participantes do treinamento receberam noções de como se opera um trator, uma grade, uma roçadeira, um furador de solo, uma plaina traseira (potrolinha) e um distribuidor de sementes

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