Unir, debater e resistir!

Rede se reúne a agricultores familiares em defesa do futuro dos projetos socioambientais na Amazônia

Por Tatiane Ribeiro

A Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) esteve presente na 5ª Edição do Congresso Regional da Agricultura Familiar, realizado nos dias 12 e 13 de julho de 2019, em Alta Floresta (MT) . Com o objetivo de ampliar a resistência da força da agricultura familiar na região, o evento, organizado pelo Instituto Ouro Verde (IOV), reuniu cerca de 700 pessoas que debateram a importância desse segmento na produção de alimentos, bem como a implementação de políticas públicas e a relevância do apoio do Fundo Amazônia para a efetivação dos projetos.

Antônio Augusto Marques Martins, diretor da ARSX

“É muito importante esse momento em que temos a oportunidade de reunir várias organizações preocupadas com a diversidade, a produção, a recuperação das nascentes, que usam a muvuca tanto para restauração de mata nativa quanto para a agrofloresta” afirma Antônio Augusto Marques Martins, diretor da ARSX que fez uma apresentação sobre o trabalho da rede para os participantes do congresso.

O evento contou ainda com palestras como a do professor Dr. Dorival Gonçalves Junior, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) sobre a conjuntura social e política e a funcionária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Claudia Nessi Zonenschaia, que apresentou os resultados conquistados para a restauração florestal e diminuição do desmatamento via recursos do Fundo Amazônia. Foram realizadas também, de forma simultânea, 24 oficinas práticas e teóricas, sobre temas como bioconstrução, turismo rural, comunicação, construção de mapas, boas práticas no processamento de alimentos, entre outras.

“Queríamos mostrar que a agricultura familiar tem força e está sim a favor do Fundo Amazônia. Nesses últimos dez anos foram 2700 hectares de agroflorestas plantados, áreas recuperadas, implementação de quintais produtivos que pode até parecer um número pequeno mas atendeu 1500 famílias, o que significa na verdade que é um número gigantesco”, explica Ana Carolina França Bogo, diretora financeira do IOV e agente de formação popular do Projeto Sementes do Portal.

O projeto Sementes do Portal planta agrofloresta com muvuca nos quintais dos agricultores familiares da região da Alta Floresta.

“O recurso do Fundo Amazônia que estava disponível para a agricultura familiar tornou possível atender a demanda tanto da recuperação quanto da produção, do apoio à comercialização, das estratégias de organização comunitária, associações e a formar a Rede de Sementes do Portal da Amazônia que é fruto desse projeto.”

Diversidade na união

A programação ainda teve a “Feira de saberes e sabores” onde, além da exposição dos produtos, cada grupo pode se apresentar  e falar das suas conquistas locais. “É um inspiração participar junto com outras iniciativas de um momento como esse difícil que o Brasil está passando. Devemos cada vez mais unirmos força para plantar floresta e continuar resistindo”, comentou Eliane Righi, coletora da ARSX e moradora do Projeto de Assentamento Rural (PDS) Bordolândia, em Serra Nova Dourada (MT).

O mesmo sentimento de união e fortalecimento é expresso pelo coletor indígena da ARSX, Thawá Juruna, do povo Yudja, do Território Indígena do Xingu, que esteve presente para compartilhar suas experiências de roça implementados na aldeia. “O fato de todos estarem aqui tem a ver com a defesa de muitas coisas que estamos fazendo, como a agrofloresta e os projetos. Mostra que não estamos sozinho. É muito interessante ver o pessoal falando da defesa da terra, da floresta, dos rios. Tem a ver com o fortalecimento do trabalho indígena e do pessoal da cidade por isso o assunto foi mais forte e mais pesado”, afirma.

O projeto “Sementes do Portal” do qual as ações fazem parte encerra em 2019 e o IOV já entregou a proposta de continuação, ou seja, da fase três, ao Fundo Amazônia. “Mas como o desmonte vem acontecendo estamos na busca de outros parceiros e financiadores para as ações não pararem. Vamos resistir apesar dos recursos desse projeto estarem acabando o trabalho das comunidades não, a gestão comunitária e a articulação que já existem irão permanecer”, afirma Bogo.

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