Tempo de mudanças fortalecendo a mesma missão

ARSX debate em evento anual propostas para a gestão da maior rede de sementes nativas do Brasil

Mudanças climáticas, mudanças no governo, mudanças internas. O tempo não pára e a rede também não. Diante dos desafios ambientais, políticos, estruturais entre outros a Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) tem se fortalecido com as inovações e atuação cada vez mais proativa e participativa dos seus membros. A consolidação das dinâmicas que tem dado certo bem como os passos para novas formas de organização foram tratados durante a V Assembleia e XVI Encontro Anual da ARSX realizado entre os dias 4 e 6 de julho de 2019, em São Félix do Araguaia (MT).

Cerca de 120 pessoas entre coletores indígenas, urbanos e agricultores familiares, pesquisadores e convidados se reuniram no primeiro dia para falar dos números da rede, a ideias do novo plano de negócios que inclui reestruturações na governança e no modo de funcionamento e também indicar a nova diretoria. Dessa vez, o grupo que está à frente da ARSX inclui, além de uma mulher, um indígena e um agricultor familiar: Bruna Dayanna Ferreira De Souza, Tairupi Kaiabi e Antônio Augusto Marques Martins, respectivamente.

Bruna Dayanna Ferreira De Souza, Tairupi Kaiabi e Antônio Augusto Marques Martins, diretores da ARSX

“Esse é mais um momento onde conseguimos contemplar a diversidade de pessoas e darmos espaço para que outros olhares possam ser lançados e considerados. Mantemos o elo com o que já construímos até aqui mantendo um dos diretores e incluindo outros dois”, explica Bruna Ferreira, diretora da rede.  “Assim mais pessoas podem viver o que é estar na direção de uma associação que representa quase 600 coletores em um trabalho que busca valorizar as pessoas em seus diferentes modos de vida a partir da pauta da restauração florestal.” 

Para Tari a presença de um diretor indígena irá colaborar para o aumento e melhoria da produção de sementes nativas dentro do Território Indígena do Xingu (TIX). “Quero ajudar e aprender também para repassar cada vez mais os conhecimentos para os coletores que ainda tem dificuldade. A expectativa é que a gente realize com sucesso o nosso plano de trabalho.” 

Dinamismo e participação

A partir do segundo dia coletores e demais convidados participaram de dinâmicas para sugestão de mudanças no guia de gestão da rede, rodas de conversa sobre o contexto da restauração e os plantios nas comunidades indígenas, feira de troca de sementes, oficinas de identificação de espécies, manejo e comunicação, além de participarem da entrega das  menções honrosa e do concurso de forró. 

“É um momento de celebração onde os diferentes grupos podem se encontrar e trocar experiências além de tratar de temas que são pertinentes de uma forma bem participativa” diz João Carlos Mendes Pereira, colaborador da ARSX. “Uma característica bem importante dessa edição foi o protagonismo dos coletores e jovens que tomaram à frente das atividades e deixaram o evento ainda mais com a cara deles.” 

Roda de conversa sobre restauração ecológica durante o Encontrão da rede.

A programação contou ainda com a apresentação de pesquisas de mestrandos e doutorandos em andamentos sobre diversos temas relacionados à rede como processos de comunicação das mulheres coletoras, etnoecologia e percepção ambiental, subsistência futura dos coletores, estratégias de restauração entre outros. A ARSX recebeu também a visita dos coletores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável  (RDS) Nascentes Geraizeiras, do norte de Minas Gerais. 

“Nós estamos no caminho, não chegamos ao final e assim os desafios vão mudando. Estamos hoje em um patamar que temos orgulho do que já foi feito e muitas outras redes querem aprender com a gente”, diz Rodrigo Gravina Prates Junqueira, presidente do conselho curador da ARSX e coordenador do Programa Xingu, do Instituto Socioambiental (ISA). 

“Cada mudança é um gesto muito importante para a rede continuar firme nessa caminhada, superando os desafios e atingindo cada vez mais sua missão: produzir sementes nativas para a conservação da biodiversidade com inclusão social e fortalecimento cultural”.

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