Rede de Sementes do Xingu fecha o ano com mais estrutura e com mais recursos

Associação amplia capacidade de armazenamento de sementes e as vendas aumentam

Por Tatiane Ribeiro

A cada ano a Rede de Sementes do Xingu (RSX) dá novos passos em prol do fortalecimento da sua estrutura e sustentabilidade financeira. Em 2019, a aquisição de dois containers marítimos que serão utilizados na Casa de Sementes em Canarana, no Mato Grosso, e o aumento do número das vendas de sementes nativas demonstram que as ações dentro da área de restauração florestal estão no caminho certo.

“Com a crescente demanda foi preciso investir em estrutura para armazenar mais sementes e com esses containers conseguimos aumentar pelo menos 50% a nossa capacidade de armazenamento”, explica Bruna Dayanna Ferreira, diretora da associação. Revestidos de PVC, os containers ajudarão na acomodação das sementes de forma a deixar os trabalho dos técnicos das casas mais eficiente, sendo que um deles servirá como escritório da equipe. Ao todo, 42 toneladas de sementes poderão ser armazenadas em um desses equipamentos.

Containers adquiridos pela Rede de Sementes do Xingu em 2019. Foto: Divulgação

Em relação a venda de sementes, os números do fechamento de 2019 superou as expectativas do início do ano. “Dos nossos clientes apenas dois tinham nos procurados até março. A maior parte das vendas se concretizou já no segundo semestre e para nossa surpresa é a maior que já tivemos. Foram solicitadas R$ 33 toneladas, de quatorze clientes o que equivale a R$ 1.019,98”, conta Bruna.

Mais vendas, mais recursos chegando para as comunidades. Essa aproximação de novos clientes também aumentam os desafios da rede que precisa rever a capacidade de armazenamento de sementes, bem como o aumento do potencial de coleta de algumas espécies, o aumento das áreas de coleta, a inserção de novos grupos de coletores e o desenvolvimento de novas tecnologias de coleta e beneficiamento.

“Esse resultado mostra que a rede e nossos parceiros tem feito uma trabalho importante de divulgação por meio das expedições, participação de eventos, áreas demonstrativas em estados estratégicos para disseminar a técnica da muvuca, que é nosso carro chefe na restauração florestal”, afirma a diretora.

A importância de crescer

Como negócio social, a venda de sementes tem um papel importante de custear parte dos trabalhos e atividades que a associação realiza, como, por exemplo, o pagamento de contas cotidiana, manutenção e aluguel dos espaços (casas de sementes), honorários, entre outras. “Além disso, as vendas são importantes para a consolidação da associação na oferta de espécies nativas no mercado de restauração ecológica, impulsionado pela cadeia produtiva da restauração”, comenta João Carlos Pereira Mendes, técnico em restauração da ARSX.

Elaboração de muvuca, mix de sementes nativas fornecidas pela ARSX, para plantios nas propriedades rurais. Rogério Assis / ISA

Para os próximos anos, a rede pretende continuar a busca de novos projetos que viabilizam o trabalho de base social nos grupos de coleta da região Xingu-Araguaia, no Mato Grosso, e no Pará, proporcionando assim mais oportunidades para as comunidades que fazem parte da associação que vivem e geram recursos a partir do que a floresta oferece.

Além disso nosso objetivo é  crescer em números de áreas restauradas pela própria associação oferecendo serviço de implantação de áreas com a técnica da muvuca de sementes”, aponta Bruna. “A consequência disso é o aumento do volume de água nos rios e melhor qualidade dessas águas. Outro foco nosso para os próximos anos é também apoiar a criação e estruturação de novas redes de sementes em outros estados e biomas em todo o Brasil.”

Deixe um comentário