Indígenas do PIX aprendem ferramentas de Geoprocessamento para monitoramento ambiental

Curso de Geoprocessamento Sociopolítico e Monitoramento Territorial foi uma continuação do curso de Gestão Territorial e teve a participação de 20 gestores territoriais do Parque Indígena do Xingu

Gestores territoriais do Parque Indígena do Xingu (PIX), participaram entre os dias 27 de junho e 04 de julho, em Canarana-MT, de um curso sobre Geoprocessamento Sociopolítica e Monitoramento Territorial.  O curso foi realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA) e teve a parceria da Associação Terra Indígena Xingu (ATIX) e da FUNAI. Participaram 20 gestores territoriais do PIX.

No ano passado, 35 indígenas do PIX concluíram o curso de Gestão Territorial, que teve a duração de três anos. Um dos desdobramentos do processo de formação em gestão territorial foi a formação do Coletivo de Cartografia Sociopolítica do Xingu, e esse curso foi parte da estratégia de formação continuada focada nesse tema junto ao grupo. “O interesse dos alunos foi tamanho que decidimos dar continuidade aquele curso de uma maneira diferente, focando só no geoprocessamento, com prática na gestão territorial”, disse Fábio Moreira, do ISA, responsável pelo curso.

O objetivo é de que os gestores aprofundem seus conhecimentos de maneira autônoma tendo condições de relacionar as novas tecnologias com o conhecimento tradicional para que, desta maneira, utilizem GPS, um software de geoprocessamento, e dados secundários disponíveis na rede para elaborar mapas e documentos que possam subsidiar a tomada de decisão comunitária e do poder público, como FUNAI e outros órgãos.

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Gestores territoriais aprofundando conhecimento sobre técnicas de geoprocessamento – Rafael Govari

Foto 3 Demonstração do uso de DRONE em monitoramento territorial.

Demonstração do uso de DRONE em monitoramento territorial – Fábio Moreira

Uma visita especial também fez parte dessa oficina. Foi a presença do arqueólogo Michel Hackenberg, que apresentou parte de seus estudos (baseados em análises de imagens Landsat) na região do Alto Xingu sobre as tecnologias indígenas ancestrais desenvolvidas por povos do Xingu ao longo de milhares de anos e que tem relevância fundamental para os estudos de cartografia contemporânea.

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Arqueólogo Michael Heickenberg palestra sobre as tecnologias indígenas desenvolvidas ao longo de milhares de anos – Rafael Govari

Pasi Suya, da Associação Indígena Kisêdjê (AIK), participou do curso de gestão e da oficina de cartografia. Ele contou o que aprendeu no curso e o conhecimento que foi aperfeiçoado na oficina. “No curso foi resgatado como os ancestrais viviam no Xingu. A partir disso comecei a pensar como poderia ajudar a comunidade e consegui adaptar algumas coisas. Na oficina conheci mais ferramentas como que faz monitoramento e tira pontos [no mapa], para que a gente possa praticar em nossas comunidades e monitorar nossas áreas via internet com imagem de satélite. Gostei muito”, relatou.

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Para Pasi Suya o conhecimento que foi aperfeiçoado na oficina – Rafael Govari

O indígena Karin Juruna disse que na oficina aprofundou seu conhecimento sobre cartografia: “Busquei mais informação e aprofundou meu conhecimento para monitoramento, tirar pontos e localizar onde foi tirado. Com certeza vai ajudar mais ainda na parte da fiscalização”. Elejá realizou três expedições dentro do PIX para vistoriar o território. “Temos que cuidar do Xingu porque é aqui que vivemos e buscamos tudo o que precisamos”, disse. Conforme Karin, as três maiores ameaças hoje para o PIX é a retirada de madeira, o desmatamento e a plantação de soja ao entorno do Parque.

FOTO 5 Karin Yudja localizando regiões de conflitos nos limtes do território.

Karin Yudja localizando regiões de conflitos nos limites do território – Fábio Moreira

Para novembro está sendo programada nova etapa do curso, mas desta vez os próprios gestores é que serão os monitores, repassando o conhecimento a outros indígenas.

(Por Rafael Govari e Fábio Moreira – ISA)

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